O problema de se chamar Gold

Não foram os Vistos Gold que retiraram os portugueses das casas da zona da Baixa lisboeta ou dos vários prédios devolutos espalhados pelas cidades. Foram os portugueses que fugiram de lá, atrás das construções novas, com garagem e estores elétricos.

O programa do Golden Visa é sim responsável por reabilitar prédios, recuperar zonas degradadas, dinamizar o comércio local e salvar o mercado imobiliário na crise de 2011.
Ao contrário do que se afirma, os vistos gold não têm sido atribuídos a pessoas indesejadas, com interesses obscuros ou finalidades de branqueamento de capitais. O compliance que é feito por bancos, advogados, sociedades imobiliárias e gestoras de fundos, entre outros intervenientes, cria uma malha tão apertada que o risco de tal acontecer é hoje muito reduzido, ainda mais quando comparado com outras atividades.

É também falso que o programa atribua algum benefício fiscal – tal não existe! Muito pelo contrário, possibilita uma receita considerável em impostos e taxas administrativas. Nem tão pouco é impulsionador dos preços dos imóveis, como veio provar a última alteração ao programa, que impossibilitou a aquisição de habitação para este efeito em praticamente toda a faixa litoral de Portugal. O preço das casas aumenta porque temos forte procura (na sua maioria por estrangeiros não Golden Visa) e pouca oferta. A solução não é tentar impedir que estrangeiros comprem casas, coisa risível até por manifestamente impossível, mas agilizar os licenciamento e possibilitar que exista mais oferta.

É também falso que o programa apenas tenha criado poucos postos de trabalho, pois é responsável por um mercado indireto que que originou certamente muitos milhares de empregos.

Ora, o errado não é possibilitarmos a pessoas que façam investimentos avultados em Portugal, dinamizando a nossa economia, criando novos mercados e mais empregos, que possam ter uma autorização de residência para investimento. O errado é termos preconceitos contra o dinheiro, contra o Gold.

Publicado no Dinheiro Vivo.